|
O exercício desta semana não pede separação de contas nem cobrança pelos seis meses que passaram. Pede dois movimentos pequenos, os dois mensuráveis, e os dois cabem num mês comum.
O primeiro movimento dura três semanas. Você abastece o seu carro com o valor que o trajeto pede, sem cortar: se o trajeto pede cento e vinte reais no mês, você coloca cento e vinte, e o dinheiro sai da conta da casa, de onde sai o abastecimento dele. No fim de cada semana, anota no papel do armário o que aconteceu com o saldo. Se faltar pra alguma conta, deixa faltar e escreve qual conta foi, porque essa linha abre a conversa com um número, não com uma queixa.
Durante as três semanas, anota duas colunas: quanto entrou no seu tanque, quanto entrou no dele, e quantos dias levou até alguém na casa comentar. Rosana anotou trinta e cinco reais nela e cento e sessenta nele na primeira semana, quarenta e cento e sessenta na segunda, quarenta e cento e sessenta na terceira, e o marido perguntando na quinta-feira por que o saldo estava mais baixo que o normal. Nenhum comentário nas duas primeiras.
O segundo movimento é a frase curta, dita uma vez, com número: "eu tenho andado com o tanque na reserva desde março pra fechar as contas, quero que o combustível dos dois carros saia da conta da casa todo mês". Informação e pedido de tamanho definido, sem a lista dos sete cortes e sem a história do jaleco, porque a lista comprida abre discussão sobre quem é mais sacrificado e enterra o pedido.
Quarenta reais por semana no tanque dela, cento e sessenta no dele, e o pedido que resolve cabe numa linha com os dois carros no mesmo orçamento. |
Prepara-se pra uma reação previsível. Alguém vai responder "você nunca falou nada, é só pedir". Responde curto, sem subir o tom: "estou pedindo agora, o combustível dos dois entra na conta da casa a partir deste mês?". Pergunta fechada, com data, porque concordância sem data volta pro seu colo no mês seguinte.
Prepara-se também pra um desconforto seu nos primeiros abastecimentos, que é normal e passa. Pedir quarenta reais na bomba dá uma sensação física de gasto indevido. Rosana conferiu o saldo quatro vezes por dia na primeira semana, viu as contas fecharem com setenta e um reais sobrando, ligou o ar-condicionado na volta do trabalho pela primeira vez em um ano e meio, e marcou a revisão do dentista que tinha adiado duas vezes.
Teste nas próximas três semanas, com o papel atrás da porta do armário: abasteça o seu carro com o valor que o trajeto pede e anote, numa linha por semana, quanto entrou no seu tanque, quanto entrou no dele e quantos dias passaram até alguém comentar. Na quarta semana, faça o pedido de uma linha com a pergunta fechada e anote se a resposta trouxe um mês de início. O resultado esperado é silêncio nas duas primeiras semanas, um comentário sobre saldo na terceira, e a conta da casa fechando com sobra em pelo menos duas das três, o que mede em reais quanto do equilíbrio da casa estava saindo do seu painel toda quarta-feira.
"Se o orçamento da sua casa precisar encolher vinte reais este mês, de qual pessoa ele vai tirar, e quem decidiu que seria ela?"
|