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Mariana Teixeira Duarte decidiu usar a única medição que tinha a favor dela. Se o celular contava as horas, ela ia fazer o relatório do domingo seguinte mostrar outro desenho. Escreveu o plano no verso da folha do cronômetro.
TRÊS PASSOS PARA O SEU TEMPO VOLTAR A TER DONO
1. Silenciar os grupos: deixar escola, condomínio e trabalho mudos das 19h às 7h, e abrir as conversas só em dois horários fixos, às 12h30 e às 18h.
2. Devolver uma tarefa por grupo: escolher em cada grupo a função que ninguém pediu formalmente e passar a outra pessoa, com nome e data.
3. Marcar uma hora sua: reservar 50 minutos no dia para algo seu, com alarme, e deixar o celular registrar só o início e o fim.
Na segunda-feira, ela escreveu para Cláudia Ramos, mãe do Lucas, da mesma turma, e perguntou se podia cuidar da lista da excursão. Cláudia respondeu em quatro minutos que sim, e que achava que Mariana gostava de fazer.
No condomínio, avisou ao síndico, Valter, que fotos de vazamento iam a partir daquele dia direto para o email da administradora. No trabalho, combinou com o supervisor da noite, Rogério Lenz, que dúvida de nota fiscal depois das 19h seria dele. Rogério ligou uma vez na primeira semana, e só.
O alarme das 6h40 ganhou o nome “Caminhada”. Ela saía pela beira do rio Cachoeira e voltava às 7h30, com o celular no bolso e a tela desligada. O aplicativo de saúde do aparelho registrava o percurso sozinho.
Os mesmos três grupos, as mesmas pessoas, e 1 hora e 57 minutos devolvidos por dia. |
No domingo seguinte, às 9h, Pedro leu de novo a notificação em voz alta. O tempo de uso tinha caído para 2 horas e 18 minutos por dia, e o WhatsApp, para 1 hora e 4 minutos. O aplicativo de saúde mostrava cinco caminhadas e 4 horas e 10 minutos de percurso na semana.
A turma do 8º B pagou a excursão no prazo, com a lista feita pela Cláudia. O vazamento da garagem foi consertado pela administradora em seis dias. Nenhum motorista ficou parado no posto.
Na terça da segunda semana, Mariana passou na sala de espera do consultório para a consulta de retorno. A médica perguntou da caminhada, e ela mostrou na tela do celular o registro das cinco manhãs. Foi a primeira vez, desde março, que o aparelho mostrou a alguém uma hora que pertencia a ela.
“Se o seu celular medisse só as horas gastas com assunto seu, quanto apareceria na semana?”
Teste hoje: abra o relatório de tempo de uso do seu celular e anote os minutos do WhatsApp na última semana. Silencie o grupo que mais tomou o seu tempo das 19h às 7h por sete dias. No domingo, compare os dois números: o esperado é ver pelo menos uma hora a menos na semana, e essa hora com destino escrito por você.
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