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O exercício desta semana é simples de descrever e estranho de fazer: na próxima saída de casa, montar a própria mala primeiro, antes da de qualquer um.
O primeiro passo é marcar a hora. Escolhe o horário em que a arrumação começa e coloca alarme no celular. Nesse horário a única bagagem aberta na cama é a sua, e ela fica aberta até estar completa. Sem começar a de ninguém no meio, mesmo que alguém peça.
O segundo passo é a lista curta. Cinco itens que sem eles a sua viagem piora de verdade: o remédio, o carregador, o que você usa no cabelo, o calçado que não machuca, e o que quer que seja o quinto na sua vida. Escreve os cinco no bloco de notas antes de abrir o armário e confere um por um na mão, do mesmo jeito exato que você confere os dos outros.
O terceiro passo é o conforto, e ele é obrigatório. Um item que não serve pra nada prático e existe só porque você gosta. Livro, um perfume, a camiseta velha de dormir, o fone bom. Mala que só leva o necessário continua sendo mala de logística, e o exercício não é sobre logística.
O quarto passo é a frase, quando alguém entrar no quarto perguntando da mala dele. Ela cabe em sete palavras: eu termino a minha e já vou. Sem porque, sem justificar, sem pedir desculpa pela ordem. Explicação convida negociação, e não existe nada a negociar sobre a ordem de duas tarefas.
Quarenta minutos por pessoa. Você também é uma pessoa. |
Pode acontecer de a culpa chegar antes do zíper fechar. Uma sensação nítida de egoísmo, de estar roubando um tempo que era da casa, uma vontade concreta de largar a sua no meio e ir resolver a dos outros. Deixa a culpa existir e não obedece a ela. Ela é a medida exata de há quanto tempo essa fila tem a mesma ordem.
Pode acontecer de alguém achar graça ou reclamar do atraso. Repete a frase inteira sem acrescentar nada: eu termino a minha e já vou. Pedido repetido sem argumento novo encerra a conversa mais rápido que qualquer defesa bem construída.
Na volta da viagem, antes de desfazer as malas, responde três perguntas no bloco de notas. Quantos itens seus faltaram dessa vez. Quanto você gastou recomprando no destino. E se alguém da casa chegou sem o que precisava por causa da ordem nova.
E tem a descoberta que costuma aparecer nessa terceira resposta. Quase nunca falta alguma coisa pros outros. A fila existia sem necessidade nenhuma, a casa inteira chega inteira do mesmo jeito, e a única mudança real é que dessa vez o seu carregador viajou junto com você.
"Se a viagem também é sua, por que a sua mala é a única feita na correria?"
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