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Juliana Ferraz Moreira tratou a estrada como trata uma rota nova da farmácia: com treino, dono escrito e regra combinada antes da saída. Escreveu três passos no bloco de notas do celular, na mesma tela do mapa até Jundiaí.
TRÊS PASSOS ANTES DO FERIADO
1. Treinar sozinha em três sábados de manhã, pela Bandeirantes até Jundiaí e de volta, 120 quilômetros por sábado, com uma ultrapassagem a mais a cada semana.
2. Pedir o trecho antes da viagem, na sala de casa, com o lugar dentro da frase: “Na ida, do posto de Registro até Curitiba é meu.”
3. Combinar com Ricardo uma regra só para o trecho dela: ele cuida do mapa e não comenta a direção.
No primeiro sábado, ela fez uma ultrapassagem. No terceiro, fez quatro. Na quarta seguinte, depois do jantar, disse a frase do passo 2. Ricardo perguntou se ela tinha certeza. Ela disse que tinha treinado três sábados. Ele disse “tá bom” e foi lavar a louça.
No feriado de 12 de outubro, a família voltou a Itajaí para os 70 anos de Lurdes. Às 6h50, no mesmo posto de Registro, Juliana estendeu a mão para a chave. Dirigiu cerca de 210 quilômetros até Curitiba.
Na Serra do Azeite, ela ligou a seta quatro vezes e terminou as quatro ultrapassagens. |
Ricardo dormiu 40 minutos no banco do passageiro. Acordou perto de Campina Grande do Sul e perguntou onde estavam. Clara filmou a mãe na serra e mandou o vídeo para a avó.
Em Curitiba, no posto da entrada da cidade, Juliana desceu do carro, alongou as costas e devolveu a chave a Ricardo, como tinham combinado na sala. Ele assumiu o resto, até Itajaí, e não comentou a direção dela em nenhum momento da viagem.
Na volta, ele dirigiu tudo, e ela não pediu. Juliana ainda não sabe se o trecho de Registro vira dela em toda viagem ou se ficou num feriado só. A conversa sobre a viagem de dezembro não aconteceu, e ela decidiu que vai abrir o assunto em novembro, sem esperar ele oferecer.
Em Itajaí, Lurdes viu o vídeo e não repetiu a frase sobre a nora e a estrada. Disse que também tinha carteira desde 1979 e que não dirigia fora de Itajaí desde o casamento.
“Qual trecho você entregou num ano em que fazia sentido e nunca pediu de volta?”
Teste nesta semana: escolha uma tarefa que você sabia fazer e passou para outra pessoa sem combinar, e faça uma vez, inteira, sem ajuda. Dê uma nota de 0 a 10 para a hesitação da mão no primeiro minuto e outra no último. O esperado é a segunda nota sair pelo menos três pontos abaixo da primeira.
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